Excertos de um Maio

Uma coletânia de mim para degustação dos presentes… VOCÊS que são os próprios presentes cuja existência a vida me tem permitido desfrutar nesse nosso planetinha conturbado e delicioso em que vivemos, e no qual mais fortes somos a cada superação.

Fica a lição da água, com sua leveza e persistência para o alcance dos propósitos, e também a lição do bambuzal, que com sua flexibilidade e união suportam os mais fortes ventos!

Amo vcs!

 

“Lua quase fresca,
Ardilosa de encantos,
Num maio baiano,
Alta, cheia de si…

Vontade insana provoca,
Faminta de pudores,
Desavergonhada do saber alheio,
Clama devaneios ferormonais…

Repentes aromas e olhares
De novas possibilidades travessas,
Fortuberantes complementos
recíprocos surgem.

Transtorna o mar,
Que, em línguas ondulares,
Mistura seu próprio sabor
Ao dos mergulhadores

Dessa vida infortunicamente bela
Deixando ir embora águas passadas,
E trazendo delícias em forma
de gente que sabe viver!”

Laura Bernardes, 5 de maio 2012.

“Do canto da cozinha, ecoa o canto matinal do frágil passarinho
que chama os homens à liberdade leve das labaredas
que consomem a si próprias entregando-se
em forma de luz e calor, de vida
breve, valiosa e passageira…”

Laura Bernardes, 2 de maio de 2012.

“Acreditar no que me faz sentir bem é o meu caminho.
São minhas verdades: o momento presente e a reciprocidade
das nossas existências como construção da realidade
que projetamos em nossos sonhos!”

Laura Bernardes, 3 de maio de 2012.

“Hoje, alguém me contou sua experiência como estagiária
de fisioterapia no Hospital do Câncer, sobre o valor do momento
presente para aqueles que estão nos seus últimos momentos
e do sentimento da efemeridade desta vida, saber dar mais
importância para o que realmente merece nossa dedicação,
às vezes deixando de lado algumas mazelas formais pelo
supremo valor do que é essencial…”

Laura Bernardes, 22 de Maio de 2012.

“Estamos construindo um novo mundo a partir de nós mesmos.
A verdade, e tudo mais, é relativa, segundo o que provou Einstein
e nossa própria experiência comprovará se estivermos abertos
para ver além das matrizes que nos impõem, todos os dias, os canais
de TV e os grandes líderes religiosos desta burra terra ocidental.
Não é o caso do guerreiro que lidera seus semelhantes mostrando o
potencial existente na reunião de suas forças, de seus discernimentos
e dos ideais compartilhados.”

Laura Bernardes, 21 de Maio de 2012.

“Às vezes, tudo o que quero é dar um salto no tempo.
Porque a espera é uma coisa dolorida igual a pedra no sapato.
Andar com ela faz doer mas, para tirá-la, terei de sentar um pouquinho.

O que me salva quase sempre é o papel.
Meio que um cobertor quentinho para os sentimentos desolados.
A caneta é a chave que abre o esconderijo das ideias, e ali elas podem
brincar sem ser vistas até se organizarem numa peça aprazível.

Salto, alcanço uma nuvem mais alta,
salto de novo e me lanço no abismo extasiante.
O salto tem a velocidade do pensamento.
Leva ao imediato almejado.
Tira meus pés do chão e me permite abraçar o sonho.
Salto quântico.”

Laura Bernardes, 17 de maio de 2012.

“Que dia lindo! Vejo em parte o brilho persistente do Sol
detrás da gigantesca nuvem que tenta em vão sobrepor-se.
Nuvem que não tardará a derreter-se em gotículas sobre a terra,
libertando a visão plena do Astro-Rei.

BOM DIA A TODOS QUE CONSEGUEM VER ALÉM DOS PRIMEIROS PLANOS!”

Laura Bernardes, 11 de maio de 2012.

“O quanto vemos é o quanto somos.
Possuidores de uma força tão sutil como a sulcante fluidez da água,
que se esquiva, penetra ou dissolve as surpreendentes barreiras do caminho.

Tão mais densa e saborosa quanto mais profunda.”

Laura Bernardes, 6 de maio de 2012.

“Ola, jóia rara do meu viver!
Grata por me deixar colecionar sua preciosidade
e iluminar os rasos espelhos ao redor,
pois assim aprofundas os horizontes além do visível.

Conhece mais o teu valor e deixa a palha se esvair
no fogo e no vento das novas eras que se abrem pra ti,
guerreiro poderoso!

Estou aqui o quanto a matéria durar, depois serei aquela estrela
que vês da tua janela pra te lembrares de tudo quanto somos.”

Laura Bernardes, 7 de maio de 2012.

“Parto da felicidade e não em busca dela
Satisfeita já estou neste momento por própria decisão
e apesar de qualquer item de luxo que me falte.

O essencial para viver garimpei por longos anos
em minha lente de enxergar o mundo
e hoje não mais tenho receio da imperfeição
ou maldade principalmente porque percebo
o quanto são presentes em mim.”

Laura Bernardes, 5 de maio de 2012.

“Gratidão fortalece.
Não é na luta que conhecemos melhor nossos companheiros?
Ergamos os olhos e vejamos além dos fatos banais.
Dessa forma, tudo é oportunidade e não fim.

Até a própria noção de honra pode mudar e nos libertar
do jugo ao qual nos prendemos quando éramos mais fracos que hoje.”

Laura Bernardes, 4 de maio de 2012.

“Novas formas do viver pra quem pode um novo ser.”

Laura Bernardes, 8 de maio de 2012.

Incoerências

Poesio o sangue intenso
Da excitação
Do limite

Atraio e me traio
Arrependo-me
E reincido

Tanto cuidado para formar e manter
Num instante destruo
Deleto o predileto

Esvai sua presença
Agarro-me à lembrança

Escorrega sua alma da minha
Depois de tanto se beijarem…

LaUrA stefânia, textos recuperados

Cenas e Sabores

Não preciso de nome
Chama-me Flor, Florzinha,
Só preciso de COR (todas)
Sem número de horas,
Sem hora pra acabar
De despetalar os acessórios que uso,
as roupas que restam ao conforto
dos que olham sem ver a essência.

Dá-me o seu frenesi
“O melhor lugar do mundo é aqui”
Nada vale mais do que assumir-se por inteiro
O SER formado pelo conjunto
das qualidades admiráveis e
também das assustadoras.
Único na loucura do que quiser,
“pro que der e vier”.

Esquece sua própria censura,
Nada importa mais do que o seu julgamento
a cada momento que se desdobra,
a cada horizonte que se vislumbra.

O que entendemos sobre o que nos cerca
é sempre tão limitado quanto nós mesmos
Porque somos feitos de experiências…
E quanta força há esquecida na Sombra…

De que mais precisamos
além de impossíveis contestáveis
para nos desafiar?

Reconheço a sintonia de um olhar
e as delícias vestidas de sonhos.

Cenas e Sabores dos próximos capítulos.

Laura Bernardes, jul-set/2011.

Colcha de Retalhos

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<_> Tinha tudo.
Depois pensava que
não tinha mais nada.

>_< Agora sei que
tenho tudo o que quero.

|x| Ainda que nem tudo
esteja ao alcance palpável.

*** Tenho tudo o que conquistei
Ainda que por poucos instantes.

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Brilha, moça!

Ânsia
Fartar-se é pouco

Mergulhar com intensidade máxima
No obscuro, na aventura
Deixar de pensar…

…deixar de pensar!!!
Deixar de falar
Apenas abandonar-se no abismo que se apresenta

Tudo acabará
É apenas questão de tempo
Então acabe-se já,
queime-se tudo na intensidade solar

Clareiem-se todas as ideias!
Deixar de esperar…

Porra de esperar!
Meu signo não é dos que comem pratos frios

Acabe-se tudo numa linda explosão meteórica
Permeie a música através dos corpos humanos e celestes

Sincronize-se cada pedacinho imperfeito dos seres vagantes
Com a trajetória dos cometas apressados

Apenas junte-se à festa imaginária desta dimensão
Apaixone-se mesmo que seja arriscado

Brilhando mais do que jamais!

Caudalosas linhas

Toda a vontade que excede o limite
de admitir risco transformo em poesia

Converto a energia impulsiva, quase destruidora,
em caudalosas linhas sulcantes

Faço camuflar-se o desejo em letras que dançam na tela
e seguem flutuando no ciberespaço como garrafas de mensagens

Quem sabe um navegante possa salvar consigo essas peças
de quebra-cabeça perdidas nos mares digitais

E compreender o confuso desejo desta virginiana…

Cachoeira Saturnina

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Água em queda muito alta
Quase toda se evapora
Não tocando assim o leito.
Era cedo demais, ou tarde demais
para um abraço?

Deixa as palavras calarem na boca
Pois as nuvens que na queda nascem
São livres e chovem onde querem
Longe destas vistas.

Deixa a saudade atrair as gotas
Para as águas novamente se misturarem
Quem sabe o rio, no encontro com o mar,
Sorva de volta para o seu leito as gotas nascidas da cachoeira?

Laura Bernardes – http://informistica.wordpress.com/