Para onde?

No meio um dezembro, pleno horário de verão, é de manhã, o despertador toca. Preocupado em cumprir da melhor forma sua jornada diária, pessoal e laboral, levanta seu corpo da cama num salto e sem sequer espiar os primeiros raios do sol, engole um copo de café pra despertar os neurônios, passa uma água da cabeça aos pés para descarregar o ranço da madrugada e finalmente faz a caminhada matinal (até o carro).

Suficientemente absorvido pelo conturbado trânsito de automóveis, pessoas e animais que circulam quase sempre desorganizadamente, consegue ainda simultaneamente preocupar-se com a conta que vence hoje e o correio ainda não entregou. Tudo o que você quer é chegar em segurança e pontualmente em seu escritório.

Mas o congestionamento em que se meteu, sem ter maneira de sair, chega aos seus pensamentos, que se travam ao som purulento dos motores que fumegam sem parar por onde passam. Com o seu carro parado, seus olhos agora podem passear na paisagem e encontrar restos de vida à margem das pistas, nos leitos dos rios poluídos contaminando não apenas a paisagem ao seu redor mas seus pensamentos, que borbulham insatisfação com essa rotina avassaladora.

A busca pela segurança lhe custa uma fatia considerável do seu orçamento, a pretensa comodidade revela-se transtornadora, pois trabalha para ter tranquilidade mas contudo acaba envolvido em mais problemas ao invés de conseguir simplificar a vida. O rapaz na sinaleira lhe aborda querendo trocados, desesperado por não estar em seu lugar e ter que lhe pedir algo para comprar comida ou sabe-se-lá o quê. Sua respiração, ofegante, nem mesmo permite um fornecimento eficiente de oxigênio para o seu cérebro e seu nível de estresse vai subindo até o nebuloso céu.

Aonde isso tudo vai parar?

De repente, um raio luminoso atravessa o pára-brisa do seu carro e lhe cega por alguns instantes, parecendo arrancar-lhe daquele lugar para outro totalmente brilhante e agradável. Ao retornar para o mesmo lugar que estava antes de ser acometido pela luz, percebe na mesma paisagem inúmeras árvores frutíferas, flores belíssimas colorindo a paisagem urbana, como musas naturais persistentes ao inóspito ambiente em que se encontram. Elas sempre estiveram ali, mas seus olhos nunca as contemplavam como desta vez. Nas pessoas, consegue ver muito mais atitudes gentis do que antes e o céu, esplendorosamente azul, traz consigo aves longínquas, sobreviventes de todo tipo de clima pelos quais já passaram, desfrutando da liberdade deliciosa de entregar-se ao vento, confiando que estarão sempre bem de alguma forma, não importando o que lhes aconteça.

Então se dá conta de que pode guiar-se de volta à natureza, e encontrar a paz nas coisas simples, renovando seu modo de ver e sentir o universo do qual é o co-criador. Onde quer que esteja, carrega a fórmula do equilíbrio dentro de si e tem o poder de renovar-se a cada instante.

Laura Bernardes 14/dez/2012

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