Enebriantes Águas

No que você está pensando agora?

Há tantas formas de ganhar dinheiro
Mas ganhar gratidão é como encontrar
um tesouro garimpado dentro de um outro coração

Nomes e fotos do passado na tela
É tão bom vê-los, ainda que ausentes

Poetando | Sendo metalinguística | Olhando no espelho da alma |
E espalhando as letras na LCD | Olhando pro filme da própria vida

Gratidão por quem se compartilha com vc
costurando palavras anteriormente dispersas
em um rio de ideias que foram disparadas em várias direções
Como teias da aranha consciente

Cachoeiras de Saturno enebriantes te abraçam

 

Libertar

O desejo de te entregar aos impulsos da alma, à arte,
num ato de realização pessoal, à total subjetividade
do ser, pulsa e permeia teus dias?

Porque apenas pagar as contas no fim do mês,
ver teus rendimentos se esvaírem nos corriqueiros gastos
e nas pequenas loucuras que te permites
enquanto consumidor não te torna completo
como ser humano.

És somente peças do sistema global massacrante.

Embora possas dizer que tens independência financeira
alcançada após muitos anos de estudo, conquistaste
um cargo no sistema burocrático, ou ainda que seja
numa das esferas do sistema capitalista

Há raras oportunidades para sentir-te vivo de verdade,
ligado aos seus semelhantes e querido
pelas qualidades impagáveis do ser.

As mesmas qualidades que não podes sempre expor
nesta sociedade onde “tudo que disseres pode e será
usado contra ti”, seja no tribunal ou inesperadamente
em qualquer situação.

Quanto tempo livre tens para estar com aqueles de quem
gostas, totalmente disponível e despreocupado
para desfrutar do simples prazer de viver,
unindo esforços para se melhorarem
como indivíduos e coletivamente.

Quantas prisões te abocanham simultaneamente,
incutindo-te medo e culpa, induzindo-te
à perda do precioso tempo.

Tempo que poderias dedicar à realização
dos teus mais íntimos sonhos, explorando
todo o teu potencial criativo.

Assim, vendem-te a ideia de um deus castrador,
fazem-te, muitas vezes, viver frustrado, seja
trancado em casa por medo da violência externa,
seja dentro de relações supostamente felizes e empregos
que te pagam sempre menos do que o necessário
para sustentar o nível social em que pensas te enquadrar.

Massas de manobras gigantescas se perpetuam ignorantes
de sua função nas mãos dos que fazem mas não cumprem as leis.

De outro lado, a insanidade rodeia os que pensam ter consciência
da realidade como se houvesse objetividade acima de tudo.

Se o apego demasiado é gerador de tanto sofrimento,
de uma maneira o desprendimento total da vida mundana
também constitui ilusão, pois não haveria propósito
em nascer e experimentar todas as fases da vida
sem intensidade, sublimando-se o espírito à medida
em que a matéria se entrega às oportunidades que se
apresentam para serem desvendadas.

Quantas vezes, percebes o quanto estai a sós,
e nem mesmo sabes para onde ir.

É preciso que estejas atento e presente de corpo e alma,
com a mente consciente do teu livre-arbítrio sem limites
esquivando-te dos laços que tentam impedir
o teu pleno desenvolvimento.

Não há caminho certo, nem lugar pré-determinado
onde devas chegar.

Liberta-te das atitudes limitadoras.

Todas as possibilidades te pertencem.

Laura Bernardes, 26/02/2011

O que alarga a vida de uma pessoa
são os sonhos impossíveis.
(Clarice Lispector)

Seja a mudança que você deseja ver no mundo.
(Gandhi)

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“E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.”

Extraído do livro de Rubem Braga “A Traição das Elegantes”, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.

(Agradecimentos ao site que disponibilizou o texto: http://www.releituras.com/rubembraga_despedida.asp)

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“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso, melhor se guarda o vôo de um  pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo:

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:

Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.”

(Antonio Cícero – Guardar, extraído do site: http://www.tanto.com.br/antonio-cicero.htm)

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Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Niguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.

(…)

Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(…)

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.

(…)

Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar…

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…

(Trechos de poesias de Fernando Pessoa, adaptado de http://www.astormentas.com/pessoa.htm)


Seja a mudança que você deseja ver no mundo (Gandhi)

Inútil, Ridículo?

Deixem-me desabafar um pouco. Talvez alguns parágrafos pareçam meio desconexos, mas vou deixá-los aí.

É interessante a sensação de receber uma crítica diferente do que esperávamos…

Basta estarmos vivos para sermos julgados por todos ao redor. Sociedade é assim mesmo. Quanto mais nos expomos, mas recebemos críticas de todos os tipos.

Interessante é que as pessoas têm mais facilidade de emitir críticas negativas do que positivas.

Você pode estar fazendo algo pelo bem de um grupo durante meses e receber raros elogios. Mas uma pequena gafe pode lhe custar desproporcionais críticas.

Alguns vivem exibindo seus (supostamente) feitos para garantirem a lembrança fresca de seus próprios nomes na mente dos hierarquicamente superiores. E ouvir sempre elogios, ainda que falsos.

Só sabemos o valor de algo, quando nos fez falta ao menos uma vez.

É bem possível a uma pessoa que ainda vive na dependência dos pais, mesmo já estando crescidinho, não saber o conforto das mensagens otimistas e as chame de “frases imbecis de auto ajuda”.

Só lhe respondi o seguinte: “Cada um enxerga ao seu redor um espelho de si.

A pior deficiência é a incapacidade de enxergar o outro como seu complemento..

Em constante aprendizado,

Laura Bernardes


“Por isso é de notar-se que, ao ocupar um Estado, deve o conquistador exercer todas aquelas ofensas que se lhe tornem necessárias, fazendo-as todas a um tempo só para não precisar renová-las a cada dia e poder, assim, dar segurança aos homens e conquistá-los com benefícios. Quem age diversamente, ou por timidez ou por mau conselho, tem sempre necessidade de conservar a faca na mão, não podendo nunca confiar em seus súditos, pois que estes nele também não podem ter confiança diante das novas e contínuas injúrias.

Portanto, as ofensas devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, pouco degustadas, ofendam menos, ao passo que os benefícios devem ser feitos aos poucos, para que sejam melhor apreciados. Acima de tudo, um príncipe deve viver com seus súditos de modo que nenhum acidente, bom ou mau, o faça variar: porque, surgindo pelos tempos adversos a necessidade, não estarás em tempo de fazer o mal, e o bem que tu fizeres não te será útil eis que, julgado forçado, não trará gratidão.”

(Maquiavel em O Príncipe, Capítulo VIII)

SER, TER, EXISTIR E OUTROS VERBOS DA VIDA

Para acompanhar o ritmo da reforma ortográfica, citaremos aqui alguns verbos filosoficamente falando.

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SER

Estive pesquisando para descobrir o autor da frase: “Você é aquilo que pensa“, e encontrei um blog muito interessante. Clique na imagem para entrar na postagem que encontrei e então clique na imagem escaneada do livro para mergulhar no texto de José Sometti:

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EXISTIR

Tudo o que pode ser pensado certamente existe
Pensamentos são, no mínimo, realidades individuais
Alguns coexistem em duas almas
Sonho que se sonha junto”
Outros sonhos rascunham mentes de milhões de seres
Coletividades físicas ou difusas que vêem possibilidades mais avançadas
e plantam diariamente sua esperança…

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RESPEITAR – SERVIR – TREINAR

Respeite àqueles que são dignos de respeito,
sirva àqueles que assim o merecerem
e trate a todos com uniforme bondade.
Treine sua própria mente a não se perturbar
com as ações dos outros.”

A Doutrina de Buda, adaptado.

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TER

Ter otimismo no meio do furacão. Desculpem-me, mas não apóio o pânico generalizado que alguns querem incutir a respeito da crise. Devemos, sim, ser precavidos, evitar dívidas de longo prazo, por exemplo, mas mantenhamos o foco no lado bom, que sempre há. Ainda que o pior aconteça, não soframos por antecipação…

‘Me sinto Dom Quixote ao pregar otimismo’, diz Lula sobre crise

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Visite a Secretaria Especial dos Direitos Humanos – SEDH

Secretaria Especial dos Direitos Humanos - SEDH

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Ouvindo músicas clássicas em: http://new.icebergradio.com/

Mistificação sobre o Desconhecido

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Lembranças infantis exemplificam a visão inocente e mistificada 
que temos das coisas que não são cotidianas.
Alguém escrevendo e eu não acreditava também ser capaz…
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Hoje, faço palavras bailar, tanto faz se no papel ou no monitor,
nem importa mais a técnica.
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Conteúdos ambíguos são ricos,
Cada um entende na profundidade que alcança.
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O que parece mágica nada mais é do que o resultado de 
árdua aplicação do conhecimento durante um período de tempo.
 
Dessa forma transcendental, posso vislumbrar as “as duas pontas da vida”
(Machado de Assis), baseando-me no que passou, verificando o quanto cresci
e lançando-me mentalmente para o futuro, onde encontro 
todas as recompensas das lutas de agora.
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(Mentalização do sonho já conquistado)
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Fértil Cotidiano

Trecho de uma postagem com a qual me identifiquei muito:

Ônibus, celular e idéias

Para mim, o transporte coletivo é um meio muito fecundo. Acho que as melhores idéias que já tive foram a bordo de um ônibus: o mote ou o verso para começar um poema, a idéia-chave para a conclusão de um artigo, a compreensão de um conceito que parecia incompreensível…

Ao despontar uma idéia, procurava desesperadamente papel e caneta em minha bolsa para virtualizar minha memória – era um desespero frenético, pois as minhas idéias são muito fugazes; quando menos se espera elas batem asas e vão embora. Quem acompanhava a cena certamente imaginava-me louca. Principalmente ao observar as minhas incansáveis tentativas de escrever em com o veículo em movimento. ”  (Blog Palavras, Palavras, Palavras – por Paulinha)

 

Sou daquelas que não consegue ficar sem um papel e caneta… algumas idéias ficam martelando por dias ou semanas, mas outras passam rápido demais e se eu não registro pelo menos umas palavras pra discorrer depois, só resta esperar pelas próximas. 

Porém, há idéias que se desenvolvem junto comigo, ao longo de vários anos de leituras, palestras, terapias, acidentes de percurso, observações e reflexões sobre a sistemática das coisas.

As melhores aparecerão pouco a pouco aqui no Informisticamente.

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